Policia Reforça Segurança na Escola

No estado de Porto Alegre as escolas começam a receber nesta quarta-feira (15) vigilantes armados 24 horas por dia. O serviço terceirizado, que custará R$ 7.500 mensais por unidade, começou em dez escolas e inclui outras três até sexta-feira (17).

Este investimento em segurança foi o recurso encontrado pela Secretaria de Educação para tentar acabar com os arrombamentos e furtos de equipamentos nessas escolas, consideradas as mais vulneráveis à violência. “Tem um custo elevado, mas vai se traduzir em resultados”, disse o secretário da Educação do Rio Grande do Sul, Ervino Deon.

Para o consultor em Segurança Pública e ex-secretário nacional de Segurança, José Vicente, a ação é uma “insanidade absoluta”. Segundo Vicente, a proteção do patrimônio pode ser feita com outros recursos, como sensores, câmeras e chips nos equipamentos que disparem alarmes. “A escola, sendo um ambiente público, deveria ter uma ação pública e não privada”, afirmou.

Apesar de não apresentar dados, Deon afirmou que as escolas foram escolhidas de acordo com levantamentos feitos pelas polícias Civil e Militar. O contrato com a empresa de segurança tem a duração de um ano e prevê que cada uma das escolas terá uma dupla de vigilantes. Cada um fica na escola 12 horas. “Hoje, as escolas estão sendo supridas com muitos equipamentos, como computadores, laptops e máquinas fotográficas, que interessam ao delinquente”, disse o secretário.

Segundo levantamentos do governo, os arrombamentos ocorrem geralmente à noite, nos finais de semana e feriados. “Tem casos que, em um mês, ter dois, três acontecimentos já é anormal. Não é possível que uma escola, em 30 dias, tenha três a quatro arrombamentos”, disse Deon.

De acordo com Vicente, o problema mais grave da adoção da vigilância armada 24 horas é a exposição de estudantes, professores e funcionários a profissionais armados e despreparados. Na opinião dele, esse tipo de vigilância poderia ser feito, no máximo, fora dos horários de aula.

Além das 13 escolas com vigilância armada, outras 15 unidades de Porto Alegre passarão por obras para aumentar ou construir muros e colocar portões eletrônicos, de acordo com a secretaria. A previsão é que sejam gastos R$ 4,3 milhões.

“Essas 28 surgiram de critérios, como, por exemplo, ter maior índice de registros de ocorrências. Aquelas que estão localizadas em locais muito vulneráveis socialmente, próximo a grandes aglomerados, de vilas, afastadas, escolas grandes, com uma área enorme, que o infrator tem interesse porque tem mais condições de encontrar mais equipamentos”, disse Deon.

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